Tarifação 30/6, 60/60 e 30/30: entenda como cada segundo é cobrado
Duas propostas de telefonia podem trazer exatamente o mesmo preço por minuto — e uma delas sair 25% mais cara no fim do mês. O truque não está na tarifa: está no esquema de tarifação, aquele parzinho de números (30/6, 60/60, 30/30) que quase ninguém lê e que define quantos segundos da sua chamada viram cobrança. Neste artigo, destrinchamos os três esquemas mais comuns no Brasil e fazemos a conta, segundo a segundo.
O que significam os dois números
A notação é sempre mínimo/incremento:
- O primeiro número é o bloco mínimo: toda chamada atendida é cobrada por pelo menos essa duração, mesmo que dure menos.
- O segundo número é o incremento: passado o mínimo, a cobrança avança em blocos desse tamanho, sempre arredondando para cima.
60/60 — o minuto cheio
Herança da telefonia fixa antiga: qualquer fração de minuto vira um minuto inteiro. Uma chamada de 1 minuto e 1 segundo é cobrada como 2 minutos. É o esquema mais caro para quem faz chamadas curtas — e o mais comum em contratos de varejo.
30/30 — o meio-termo
Bloco mínimo de 30 segundos e incrementos de 30. Melhor que o minuto cheio, mas ainda arredonda de forma agressiva: 31 segundos após o mínimo viram 60.
30/6 — o padrão justo
Mínimo de 30 segundos e, a partir daí, cobrança de 6 em 6 segundos. O arredondamento máximo possível é de 5 segundos por chamada. É o esquema padrão da telefonia VoIP empresarial séria — e o único dos três que respeita a duração real da conversa.
A mesma chamada de 47 segundos nos três esquemas
Vamos ao teste definitivo. Uma chamada para celular durou 47 segundos, com tarifa de R$ 0,269/min (a faixa de entrada do clube):
| Esquema | Como a conta é feita | Segundos cobrados | Custo da chamada |
|---|---|---|---|
| 30/6 | 30 s mínimos + 3 blocos de 6 s | 48 s | R$ 0,215 |
| 30/30 | 30 s mínimos + 1 bloco de 30 s | 60 s | R$ 0,269 |
| 60/60 | 1 minuto cheio | 60 s | R$ 0,269 |
A mesma conversa, o mesmo destino, a mesma tarifa nominal — e no 30/6 ela custa 20% menos que nos outros dois esquemas, simplesmente porque só se paga (quase só) o que se falou: 48 segundos cobrados contra 60.
E quando a chamada passa de 1 minuto?
A distância aumenta. Uma chamada de 61 segundos:
- 30/6: 30 + 36 = 66 segundos cobrados.
- 30/30: 30 + 60 = 90 segundos cobrados.
- 60/60: 2 minutos cheios = 120 segundos cobrados.
No minuto cheio, um único segundo a mais custa um minuto inteiro. No 30/6, custa um bloco de 6 segundos. É essa assimetria que faz o esquema de tarifação valer mais que centavos na tarifa.
O impacto no fim do mês
Chamada curta não é exceção — é a regra. Em operações ativas (vendas, cobrança, confirmação), a maioria das conversas fica abaixo de 1 minuto. Projete uma operação com 10.000 chamadas de 47 segundos num mês, tarifa de R$ 0,269/min:
- Em 30/6: 480.000 segundos cobrados = 8.000 minutos = R$ 2.152.
- Em 30/30 ou 60/60: 600.000 segundos cobrados = 10.000 minutos = R$ 2.690.
São R$ 538 a mais por mês — 25% de acréscimo — pagando exatamente a mesma tarifa por minuto. Em um ano, a diferença passa de R$ 6.400: dinheiro que sai do caixa sem aparecer em nenhuma proposta comercial.
No Clube do VoIP, toda faixa é 30/6 — do Membro ao Diamante. A tarifa cai com o volume e a medição é a mesma para todo mundo: bloco mínimo de 30 segundos e incrementos de 6. Sem esquema "especial" escondido no contrato, porque contrato aqui nem existe.
Por que nem todo fornecedor oferece 30/6
Porque o arredondamento é margem invisível. Um fornecedor que cobra 60/60 fatura, no exemplo acima, 25% a mais sem tocar na tarifa de vitrine — e a maioria dos clientes compara apenas o preço por minuto. O esquema de tarifação é onde a proposta "imbatível" recupera o desconto que anunciou. Por isso a nossa recomendação de sempre: ao comparar fornecedores, leia o par de números antes de ler a tarifa. Já explicamos no artigo sobre precificação por volume que tarifa boa sem medição justa é pegadinha.
Como conferir na prática
Não confie no que está no rodapé da proposta: confira no extrato. Todo painel decente exporta CDRs (registros de chamada) com duração real e valor cobrado. O teste leva cinco minutos:
- Faça uma chamada de teste de ~47 segundos e outra de ~61 segundos.
- Abra o CDR e compare a duração real com o valor tarifado.
- Divida o valor pela tarifa: o resultado revela os segundos cobrados — e o esquema real do fornecedor.
Aproveite o mesmo CDR para verificar outro fator que muda o resultado da operação: a qualidade do identificador de chamadas. Uma rota barata que entrega CLI ruim derruba a taxa de atendimento — e aí nem o 30/6 salva a conta.
Conclusão
Esquema de tarifação é a letra miúda mais cara da telefonia. Entre 30/6 e 60/60 existe, para o mesmo preço nominal, uma diferença real de até 25% em operações de chamadas curtas. A regra do clube é simples: tarifa pública, medição 30/6 para todas as faixas e CDR aberto para quem quiser conferir a conta — porque atacado sério não precisa de arredondamento para fechar o mês.
Tarifa justa se mede em segundos
Conheça as quatro faixas do clube — todas com tarifação 30/6 e créditos válidos por 12 meses.
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